Como presente pelo meu aniversário de 30 anos, ganhei de meus amigos e de minha família uma viagem para a Islândia. Essa ilha é um lugar bastante particular. Reúne os extremos. Isolada no Hemisfério Norte, com temperaturas muito frias no inverno, ela tem tesouros inestimáveis: a energia geotérmica, grandiosas paisagens, aurora boreal.

Apesar de ter poucos habitantes, ela atrai bastante turistas! Mas uma coisa me surpreendeu ainda mais. Os habitantes de uma ilha tão maravilhosa deveriam proteger o seu ambiente bem mais que outro povos, porque uma pequena ilha possui poucos recursos, pouca matéria prima, e custa muito dinheiro importar artigos de outros países. Mas nada disso se aplica à Islândia.

Esse aspecto da cultura do país fez surgir uma obsessão no artista local Hálfdan Pedersen. Ele morou anos em Los Angeles, quando trabalhou na indústria do cinema. Um dia, durante a produção de um filme na Islândia, ele se apaixonou por uma casa em ruínas e decidiu voltar ao seu país e renová-la com 100% de materiais reciclados. Foi atraído pela paz e a tranquilidade daquele lugar perdido na costa norte da Islândia.

A obsessão de reciclar tudo surgiu como forma de protestar contra a mentalidade islandesa. “Antes da crise econômica, jogavam tudo no lixo, sem pensar no valor das coisas usadas”, disse Pedersen, que tem uma grande admiração pelo artesanato. Para ele, os objetos antigos são uma perfeita combinação estética, utilidade e resistência.

Muitos materiais que utilizou para reformar a sua casa o os interiores de bares, restaurantes ou lojas de Reykjavík já existem há cinquenta ou cem anos, e provavelmente vão durar mais cinquenta e cem anos.

Antigamente, o ritmo da vida era mais lento. Os objetos foram produzidos com mais paciência e confeccionados para durarem. Hoje, Hálfdan Pedersen tem muitos pedidos para renovar e decorar lojas e restaurantes na Islândia.

Tive a oportunidade visitar os lugares e tirar algumas fotos para a Revista Reartezar. O ambiente criado é único, como se as coisas antigas transmitissem suas histórias. Nunca subestimem a influência dos objetos sobre nós, eles também falam e transmitem mensagens. Nesse caso, foi como se o tratamento do artista com os materiais se propagasse até nós. Senti respeito, paciência e calor. E você, o que sente quando olha seus objetos?

Por Anja Grafenauer

Reartezar é um veículo de comunicação que contribui na educação sócio-ambiental, destacando diversas maneiras de reciclar materiais e reutilizar objetos.

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